Teclado híbrido da Logitech ainda tem margem para evoluir

Mecânico na maior parte do tempo e analógico onde interessa: é assim que se pode resumir o novo teclado Logitech G512X. Este dispositivo explora uma ideia interessante, mas que ainda deixa espaço para amadurecer.
O G512X é a mais recente aposta da Logitech, orientada sobretudo para jogadores. E, desta vez, a marca quer marcar a diferença ao dar os primeiros passos com um produto híbrido. De alguma forma, este conceito faz lembrar a tendência recente no mundo dos monitores, que oferecem dois modos de funcionamento consoante as preferências do utilizador.
Da mesma forma, o G512X não oferece apenas dois modos, mas sim duas naturezas distintas, combinando tecnologia analógica e mecânica no mesmo teclado. Contudo, há um senão importante: esta implementação híbrida está limitada a apenas 39 teclas. Por isso, o G512X aproxima-se mais de um produto de “conceito” do que de uma solução completa, ainda que continue a ser bastante emocionante e útil.
Design vistoso, mas construção pouco convincente
Em termos de primeiras impressões, a Logitech volta a apostar em linhas estéticas arrojadas, pensadas para quem gosta de mostrar o seu setup nas redes sociais e nas streams. O corpo é bastante decorado e destaca-se uma longa barra luminosa na base, que lhe confere identidade própria. Neste caso, recebemos o formato de 98%, que inclui o teclado numérico numa dimensão média. Assim, o teclado não ocupa muito espaço na secretária, mas continua a ser volumoso, com uma espessura elevada.
Visualmente, o G512X conta ainda com algumas teclas coloridas no caso em análise, em tons de preto e roxo além de dois dials rotativos e botões direccionais na mesma cor. No entanto, é possível trocá-los por teclas pretas, incluídas na embalagem. Também vêm incluídas pinças em plástico para remover teclas e switches, que podem ser reaproveitadas como pés do teclado, conferindo-lhe alguma altura extra.
Este é um teclado cheio de extras, localizados na traseira: dois botões, um espaço de armazenamento para nove switches analógicos e cinco anéis opcionais SAPP, que criam resistência física num segundo ponto de actuação. Um dos botões traseiros activa o Game Mode, enquanto o outro faz o scan das posições onde foram instalados os switches analógicos. Visto que este é um teclado com 39 posições Dual Swap capazes de aceitar switches mecânicos ou analógicos , a inclusão de apenas nove switches analógicos reforça a ideia de que se trata de um produto verdadeiramente experimental.
Quanto à construção, o G512X não é propriamente o teclado mais robusto que já testámos. Não é leve, mas sente-se algum vazio no seu interior em relação ao volume. Além disso, é todo construído em plástico, com detalhes de qualidade apenas razoável. Por isso, apesar de tudo, não transmite a sensação de produto Premium segmento a que pretende pertencer.
Um layout que exige habituação
A experiência de uso, logo ao tirar da caixa, é bastante positiva. Trata-se de um teclado mecânico com uma sensação de toque satisfatória, muito responsivo e com óptimo retorno. O layout é em PT-PT, o que é sempre uma vantagem para quem escreve regularmente. Ainda assim, existem várias particularidades nos atalhos, adaptadas para acomodar o formato de 98%.
Há, sem dúvida, escolhas contraintuitivas no design. Por exemplo, as teclas de Início, Fim, Page Up e Page Down ficam integradas no teclado numérico. Outro caso é a tecla Delete, colocada logo a seguir ao F12, mesmo por cima da tecla de apagar uma posição pouco natural à qual, mesmo depois de mais de uma semana de uso, ainda não nos habituámos completamente. Na prática, a disposição das teclas exige algum treino para evitar erros de escrita ou acções indesejadas. Felizmente, contudo, a adaptação é bem menos atrofiante do que mudar de um layout PT-PT para outro completamente diferente.
Fora da caixa, o G512X também se comporta bem em jogos. O seu formato oferece bastante margem de manobra para personalizar atalhos e funções. Em termos de desempenho, há pouco a apontar: destacam-se os 8 kHz de polling rate e toda a personalização disponível através do software G Hub, que permite criar perfis de jogo, padrões de iluminação e atalhos próprios.
O lado híbrido do G512X
O grande destaque do G512X é, sem dúvida, o seu modelo híbrido, que permite substituir switches mecânicos por analógicos embora apenas numa área concentrada do layout. Esta zona cobre a parte esquerda do teclado, até ao número 7, além das teclas U, J, M e barra de espaços, com excepção da fila FN e da tecla Windows. Os botões direccionais também fazem parte desta área híbrida.
Graças às pinças incluídas, a troca de teclas e switches é simples. Ainda assim, é preciso algum cuidado no manuseamento, uma vez que as pinças, por serem de plástico, parecem um pouco frágeis para o processo. Depois de trocadas as teclas necessárias que por defeito são apenas nove, de acordo com o número de switches incluídos , é preciso voltar ao G Hub para fazer os ajustes. Aí é possível regular o ponto de actuação entre 0,1 e 4 mm, activar o modo de gatilho rápido e seleccionar duas teclas para o modo de prioridade, normalmente atribuído às teclas A e D, usadas para movimento na maioria dos jogos.
Como apenas algumas teclas usam switches analógicos, a experiência de escrita torna-se um pouco estranha quando estes são colocados em teclas de letras. Isto acontece porque os switches mecânicos têm um ponto de actuação fixo, enquanto os analógicos detectam continuamente a profundidade da pressão. Por isso, a sensação ao toque e no regresso da tecla também muda. É como correr sobre cimento e, de repente, pisar areia — mas aqui com vantagens, já que essa leitura contínua do movimento permite afinar com precisão o ponto de actuação, algo que pode ser uma mais-valia para jogadores mais dedicados.
Analógico ou mecânico? Uma questão de preferência
Na prática, optar por switches mecânicos ou analógicos é sobretudo uma questão de gosto pessoal e de hábito. Ambas as tecnologias estão bastante maduras actualmente, e não existe uma necessidade clara de escolher uma em detrimento da outra. Por isso, este modelo híbrido acaba por ser mais uma novidade interessante do que uma revolução algo que, honestamente, faria mais sentido aplicado à escala completa do teclado, e não apenas a algumas teclas.
Também teria sido interessante se a Logitech tivesse incluído um número maior de switches analógicos, em vez de apenas nove. Talvez esse seja, precisamente, o plano da marca para o futuro.
Vale a pena?
Ainda assim, o Logitech G512X é um teclado bastante competente, com muitas opções de afinação e uma experiência de uso satisfatória. Junta tecnologia de ponta a um design com estilo próprio. Além disso, comparado com outros teclados híbridos do mercado, o preço acaba por ser competitivo: encontra-se actualmente em promoção por 199,99€ no modelo de 98% e por 169,99€ no modelo de 75%.




