O Samsung Galaxy S26 Ultra impressiona com ecrã de topo, câmara de 200MP e desempenho brutal. No entanto, esconde uma falha silenciosa e quem for vítima de roubo pode pagar um preço alto por isso.
Imagina que o teu telemóvel foi roubado. Abres imediatamente uma aplicação de localização. O problema é que o ladrão já desligou o aparelho nesse momento. E se tens um Galaxy S26 Ultra, a história termina ali. Sem pistas, sem localização, sem solução.
Por isso, antes de continuares a ler, fica com isto: não é uma suposição. É uma limitação real, confirmada por registos técnicos encontrados dentro do próprio sistema do Google.
Como a Falha Veio à Tona
Tudo começou com uma linha de código. Um técnico do Google publicou registos de diagnóstico de um Galaxy S26 Ultra no Issue Tracker a plataforma interna de acompanhamento de erros da empresa. Na altura, ele investigava um problema diferente, relacionado com tipos de letra.
Entretanto, o portal Android Authority analisou esses registos e encontrou o detalhe que importa: a entrada [ro.bluetooth.finder.supported]: [false]. Em termos simples, isso confirma que o Galaxy S26 Ultra não suporta rastreio por Bluetooth com o telemóvel desligado. Uma linha. Um valor falso. Uma consequência enorme para o utilizador.
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Portanto, vale mesmo a pena entender o que isso significa no dia a dia porque a diferença entre “ligado” e “desligado” pode separar a recuperação do aparelho de uma perda total.
O Que Acontece de Facto Num Roubo
Aqui em Moçambique, como noutros países, os roubos de smartphones acontecem com frequência. Além disso, existe um padrão quase universal neste tipo de crime: o ladrão desliga o aparelho logo a seguir ao roubo. É a primeira linha de defesa dele contra qualquer tentativa de localização.
Foi precisamente para responder a este cenário que a Google criou o Find Hub. O sistema usa mais de mil milhões de dispositivos Android como pontos de rastreio anónimos espalhados pelo mundo. Assim, mesmo que o teu telefone esteja desligado, outros dispositivos Android nas proximidades detectam o sinal Bluetooth e enviam a posição ao dono.
O segredo está numa componente de Bluetooth de baixo consumo. Ela permanece activa durante várias horas depois de o sistema encerrar. No entanto, para funcionar, o Bluetooth e a localização precisam de estar ligados antes do encerramento. Quando essas condições existem, o sistema funciona e já ajudou a recuperar telemóveis em situações reais.
Um jornalista da PhoneArena documentou um desses casos. Um amigo com um Pixel 10 Pro foi roubado. O ladrão desligou o aparelho de imediato. Mesmo assim, o Find Hub localizou o dispositivo com sucesso. Se o aparelho fosse um Samsung Galaxy, o desfecho teria sido outro.
A Solução da Samsung Funciona Mas Tem Um Limite Claro
É justo dizer que a Samsung não ignorou completamente o tema. O SmartThings Find usa outros dispositivos Galaxy como pontos de retransmissão para localizar telemóveis perdidos. Funciona sem dados móveis e integra-se bem com os SmartTags da marca.
Contudo, há um pormenor crítico que muda tudo. Para o SmartThings Find, “offline” significa sem Wi-Fi ou dados mas o telefone ainda tem de estar ligado. Assim que o Galaxy S26 Ultra apaga, por qualquer razão, o SmartThings Find perde o rasto completamente.
Por isso, a diferença entre as duas plataformas é esta:
- Google Find Hub mantém o sinal Bluetooth activo por várias horas após o encerramento. Usa encriptação e identificadores rotativos para proteger a privacidade.
- Samsung SmartThings Find eficiente enquanto o dispositivo está ligado. Perde toda a capacidade assim que o aparelho se desliga.
Em comparação, a Apple resolve este problema há anos no iPhone com o sistema Find My. Da mesma forma, a Google resolveu-o com o Pixel 8 em 2023. A Samsung, em 2026, ainda não chegou a esse nível.
Uma Limitação Que Já Existia Antes
O que torna este problema ainda mais preocupante é que já não é novidade. O Galaxy S25 Ultra, lançado em 2025, tinha exactamente a mesma falha. Os registos desse modelo também apresentavam o valor false para o rastreio com telemóvel desligado. Em suma, a Samsung lançou o S26 Ultra sem resolver o que não resolveu no modelo anterior.
Mas porquê? A resposta técnica é complexa. Implementar este rastreio exige coordenação entre o controlador Bluetooth, a gestão de energia e um elemento seguro para as chaves criptográficas. Tudo isso precisa de firmware específico que mantém o sinal activo sem expor dados do utilizador.
Por um lado, a Google controla todo o hardware e software nos seus Pixel. Isso facilita a certificação desta funcionalidade. Por outro lado, a Samsung depende de componentes de terceiros e tem a sua própria estratégia de ecossistema. Além disso, investiu muito no SmartThings Find e prefere manter os utilizadores dentro da conta Samsung em vez de depender da Google.
Quanto Vale Esta Falha Em Dinheiro
O Galaxy S26 Ultra ultrapassa os 1.200 dólares na maioria dos mercados. Trata-se de um dos smartphones mais caros disponíveis hoje. Portanto, quem paga esse valor espera a melhor segurança possível e com razão.
No entanto, esta não é uma funcionalidade cosmética. Num roubo, a diferença entre localizar o aparelho desligado e não localizar nada pode significar recuperar mais de mil dólares ou perdê-los de vez.
Resta a questão central: é uma limitação de hardware permanente, ou a Samsung pode corrigi-la com uma actualização de software? Por agora, nenhuma resposta oficial chegou. Enquanto isso, os utilizadores que já compraram o aparelho ou que pensam em comprá-lo esperam por uma resposta que pode nunca aparecer.
Se a segurança contra roubos pesa na tua decisão de compra, este detalhe merece atenção antes de escolheres. Num mercado onde os telemóveis custam cada vez mais, saber que o teu dispositivo pode tornar-se invisível em segundos é informação que não deves ignorar.
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